O jovem e o sábio


o jovem e o sabio
















Certo dia em uma de suas caminhadas o velho sábio observou um jovem que estava sentado embaixo de uma árvore, sozinho, com um olhar triste e a face de quem está desanimado com a vida. O sábio percebeu que não podia chegar de imediato e perguntar o que estava acontecendo, pois corria o risco de receber uma má reposta, mas, na sua alta sabedoria aproximou-se e começou a olhar os frutos daquela árvore e perguntou ao jovem.

- Com licença meu rapaz, não quero lhe incomodar, mas é que estou com um pouco de fome, será que eu poderia tirar um desses frutos para comer? – E sem dar nenhuma palavra o jovem olhou para o sábio e balançou os ombros como se não estivesse nem aí.

Após retirar a fruta perguntou novamente o sábio.

- Posso compartilhar desta bela sombra meu rapaz? - É que estou caminhando faz tempo e este velho corpo precisa descansar.
O jovem desta vez balançou a cabeça dizendo que sim, mas demonstrando que não estava muito a fim de conversa. O sábio percebeu então que não seria tão fácil fazer com que aquele jovem se abrisse, e precisa buscar outros meios para isso, foi então que ele retirou da sacola a que carregava uma pequena semente, com os dedos fez um pequeno buraco no chão, colocou a semente e cobriu com terra, logo em seguida retirou de sua sacola um frasco contendo um estranho pó meio azulado. O sábio pegou um pouco desse pó e jogou onde havia plantado a semente, não demorou muito aquela semente brotou e se abriu uma linda flor, mas, que em poucos segundos murchou.

O jovem observou aquilo meio assustado e ao mesmo tempo admirado, pois nunca tinha visto algo desse tipo, feito como mágica. Apesar de sua admiração continuou calado, mas sua expressão já havia mudado como quem estava curioso e louco para perguntar. Aproveitando o espanto e admiração do jovem disse o sábio.

 - Você observou bem meu rapaz?  - viu, com a mesma rapidez que brotou, murchou, e eu tenho culpa nisso.
- Por quê? – Pronunciando-se pela primeira vez o jovem.
- Eu não tive paciência de plantar, regar e deixar que a luz do sol se encarregasse de fazer com essa bela flor brotasse. Eu quis forçar uma natureza, deixei com que minhas vontades ultrapassassem o tempo. Se eu tivesse tido essa paciência ficaríamos muitos mais tempo observando a beleza desta linda flor. Acredito que o ser humano também age assim uns com os outros, sem paciência, querendo sempre ultrapassar o tempo. Uma criança por exemplo. Se não permitimos que ela cresça no seu devido tempo, ela irá perder toda sua plenitude. Nem ela nem você irão aproveitar o melhor momento de sua infância, pois sua mente irá aprender o que ainda restaria muito tempo para assimilar e com isso sua inocência acabará se perdendo, irá ser um adulto no corpo de uma criança. Compreendeu meu rapaz? – Perguntou o sábio.
 - Não sei, mais ou menos! – Respondeu o jovem.
- É que às vezes fico meio confuso, tantas coisas acontecendo ao mesmo, às vezes fico sem saber o que fazer.
- Meu jovem! – Quando se quer falar mais alto que o coração, o sofrimento acaba sendo maior do que se tivéssemos dado ouvidos a ele. Afirmou o Sábio.
- Como assim? – Perguntou o jovem.
- Filho! – A tristeza surgi quando é para surgir, a saudade tem a necessidade de ir e vir. Às vezes sentimos raiva, mas ela precisa ser momentânea. Não podemos deixar que esses sentimentos nos tomem, pois, senão acabarão tomando todo o controle de nossa vida, nos levando a fazer coisas totalmente prejudiciais ao nosso ser. Claro que todos nós sentimos saudades, ficamos tristes às vezes, mas não podemos alimentar dentro de nós essa tristeza, pois a tristeza faz com que não tenhamos forças para reagir. Filho! – Erga-se atreves do amor, não se prive do amor, não o deixe trancado em seu coração, não o coloque em uma pequena caixa fechada como se fosse insignificante. Deixe o amor aflorar-se dentro de você, pois só com o amor, através do amor é que nos fortalecemos para enfrentar qualquer situação. O amor nos dá coragem, perseverança e determinação. Em tudo que você colocar amor será bem feito. Seus sonhos com amor e determinação serão realizados. Deixe o amor tomar seu coração para que, assim, ele se fortaleça e cada vez mais grite para que você possa ouvi-lo e ser guiado pelos caminhos da vida. Filho! – Seja amigo do tempo, para que o tempo lhe ensine a caminhar com paciência e assim admirar todas as belezas da vida, mesmo que por outros tempos você passe por tormentas. O amor, a fé irá ajudar-te a superar e compartilhar de bons momentos com todos que o amam.

Comentários

  1. Olá Henrique,

    Que maravilha de reflexão,

    Realmente a paciência é o que nos ensina a esperar o tempo certo para que se germine palavras de sabedoria para nossa vida, não podemos ultrapassar tempo, adiantar a vida, querer ser o que não somos, nem fazer o que não nos é permitido. É preciso saber viver com cautela, nos esquivar de sentimentos alienados , que em nada nos acrescenta, abraçar os sentimentos, acreditar na felicidade e vivermos o amor que nos é concedido dia após dia pelas coisas simples e proporcionado por DEUS , é ele que nos encoraja, no ensina, nos fortalece e nos transforma....Amei o texto...Parabéns..

    Beijos e linda noite pra ti

    ResponderExcluir
  2. Obrigado Cecilia. Eu tento com o pouco que sei, que diante da iluminação divina é quase nada, tentar passar nem que seja uma palavra de conforto, de incentivo as pessoas que as vezes não percebem o tempo precioso que acabam perdendo em suas vidas, e o melhor meio de se aproveitar cada segundo é tendo paciência.

    Mais uma vez Obrigado, Comentários como o seu é que me inspiram cada vez mais a continuar.

    ResponderExcluir
  3. Interessante, principalmente na parte em que fala sobre o tempo. Como disse em um dos meus artigos, não se deve apressar os fatos, cada coisa acontece a seu tempo, por forças alheias a nós. Parabéns.


    erranteopcional.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado! - E como diz o ditado, não devemos colocar a carroça na frente do burro. a paciência é uma dadiva.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Pollyanna “o jogo do contente”

Não somos filhos da religião, somos filhos de Deus.

Onde encontrar forças para continuar